O MODELO
O Nash Rambler foi introduzido em 1950 e quase se chamou Diplomat, nome que completaria com lógica a família Nash, composta pelo Statesman e pelo Ambassador. Descoberto que a Chrysler havia reservado o nome para uso próprio, a Nash buscou em seu passado e ressuscitou o nome Rambler. A escolha não foi apenas pragmática: trazia consigo uma genealogia americana legítima em um momento em que a marca precisava afirmar credibilidade para um modelo de menor porte. George Mason, presidente da Nash-Kelvinator, tinha clareza sobre o risco: sabia que um compacto percebido como carro barato estaria condenado, e que o americano preferia um usado de qualidade a um carro novo de imagem rebaixada. O Rambler foi lançado, portanto, não como alternativa econômica, mas como automóvel bem equipado em dimensões menores, estratégia que o diferenciou de concorrentes como o Henry J e o Willys Aero, que não sobreviveram ao mercado.
Construído sobre estrutura unibody Airflyte com entre-eixo de 2.540 mm e motor seis cilindros em linha de 2.828 cc com 82 cv, o Rambler acomodava cinco passageiros com conforto e chegou ao público inicialmente como conversível Landau, expandindo a linha progressivamente com hardtop e station wagon. A construção Airflyte, desenvolvida pela Nash desde 1949, conferia rigidez estrutural elevada em um pacote compacto, com estilo pontoon de formas arredondadas e saias que cobriam integralmente as caixas de roda dianteiras, marca visual de todos os modelos Nash da época. Os Ramblers eram comercializados em dois níveis de acabamento, Super e Custom, sendo este último o topo da gama, com sistema de climatização Weather Eye, rádio AM e relógio elétrico incluídos de série. O modelo sobreviveu à fusão da Nash com a Hudson em 1954, que deu origem à American Motors Corporation, e ainda retornou em 1958 como Rambler American, aproveitando o ferramental original em um mercado em recessão que pedia exatamente o que o modelo sempre ofereceu, feito praticamente sem precedentes na indústria automobilística norte-americana.
O CARRO
Este Nash Rambler Custom Convertible Landau apresenta-se em azul turquesa com capota elétrica em tecido azul escuro e interior na mesma tonalidade. Trata-se de uma restauração antiga realizada por um grande colecionador de carros americanos pós-guerra. Seu motor de 172 ci apresenta bom funcionamento, acoplado a um câmbio manual de três marchas. Por ser um Custom, apresenta acabamento superior, com rádio AM e relógio elétrico. O conjunto óptico conta com faróis sealed beam de época. O para-choque, grade e frisos encontram-se em bom estado, assim como os cromados. Pneus de faixa branca parcialmente encobertos pelas tampas de roda com inscrição Nash, característica dos modelos da marca da época.