O MODELO
Apresentado dentro da família W114/W115, o Mercedes-Benz 280 CE é a interpretação coupé da série barra oito, concebida para ampliar a gama média da marca sem romper com seus valores centrais. A proposta era um automóvel de duas portas de caráter mais esportivo e exclusivo, que preservasse os atributos de engenharia, segurança e durabilidade da marca no pós-guerra. Visualmente distinto dos sedãs pela ausência de molduras nas portas, teve o desenvolvimento marcado pela participação de Paul Bracq no departamento de estilo, sob a direção de Friedrich Geiger.
A designação CE resume a evolução técnica do modelo. A letra C identifica a carroceria Coupé e o E deriva de Einspritzung, referência à injeção de combustível. A nomenclatura marca a transição iniciada com o 250 CE, primeiro Mercedes de produção com injeção eletrônica Bosch D-Jetronic, consolidada no 280 CE, em que a injeção deixa de ser inovação pontual e passa a integrar um conjunto mecânico mais elaborado.
O 280 CE adota o motor M110, seis cilindros em linha de 2.746 cm³, com duplo comando de válvulas no cabeçote, um avanço sobre os motores de comando simples anteriores. Com cerca de 185 cv, o M110 oferecia melhor respiro em altas rotações, mais elasticidade e funcionamento mais suave, alinhado à proposta de gran turismo médio europeu, e podia vir com câmbio manual de quatro ou cinco marchas ou automático de três marchas, privilegiando cruzeiro alto e conforto em longas distâncias.
A imprensa da época destacou esse equilíbrio como a principal virtude do modelo. Em testes de estrada, revistas como a Autocar descreveram o 280 CE como um automóvel tecnicamente avançado, silencioso em cruzeiro, estável em alta velocidade e cuidadoso na qualidade construtiva, com desempenho suficiente para a proposta e refinamento mecânico que afastavam o coupé barra oito da comparação com esportivos.
O CARRO
Este exemplar foi inteiramente restaurado, com desmontagem completa e a carroceria levada à lata para os serviços de funilaria e pintura. Está finalizado na tonalidade Blau Metallic, código 387, cor de fábrica disponível no ano de fabricação, combinada a interior em MB-Tex azul, cujos bancos e forrações de porta, ainda originais, foram revitalizados, enquanto o carpete foi trocado por um novo no padrão original da GAHH, trabalho realizado pelo Osny.
Mantém o câmbio original mecânico de quatro marchas e a suspensão inteiramente restaurada, com amortecedores Bilstein e volante Nardi, e entre os opcionais traz vidros dianteiros elétricos, teto solar elétrico, retrovisores externos nos dois lados, rodas de liga leve, rádio Becker de época, antena elétrica Hirschmann, conjunto ótico original e faróis de milha Cibié.
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