O MODELO
O modelo que a BMW passou a vender em 1967 não teve origem na própria marca, e é essa origem cruzada que faz dele o único modelo de raiz Glas a herdar o emblema da hélice. Sua história começa como Glas 1300 GT, apresentado em setembro de 1963 no Salão de Frankfurt e entregue a partir de março de 1964, com carroceria desenhada por Pietro Frua, de Moncalieri, chapas batidas pela Maggiora, na Itália, e montagem final em Dingolfing. Sob o capô ia um quatro-cilindros de comando no cabeçote acionado por correia dentada, solução que a pequena Glas ajudou a levar à produção em série, com 1.290 cm³ e 75 cv, ao qual se somou em 1965 uma versão de 1.682 cm³ e 100 cv.
Em 1966 a BMW comprou a Glas, sobretudo pela fábrica de Dingolfing e sua capacidade ociosa, e herdou junto o cupê de Frua, que reformulou para o padrão da casa a partir de 1967. No lugar do motor Glas entrou o quatro-cilindros M10 de 1.573 cm³ do 1600 TI, com 105 cv, e o eixo traseiro rígido de feixes de molas deu lugar ao eixo independente de braços semiarrastados com molas helicoidais, o mesmo princípio dos berlinas Neue Klasse que fizeram o nome da marca. A frente ganhou a grade de duplo rim e a traseira as lanternas redondas, sinais exteriores da adequação do desenho de Frua ao padrão visual da BMW.
Com cerca de 960 quilos, o 1600 GT alcançava em torno de 175 km/h, mas chegou a um catálogo que a própria BMW já cobria com os cupês montados pela Karmann, e por isso teve vida curta. Foram apenas 1.259 unidades entre junho de 1967 e agosto de 1968, das quais poucas foram exportadas, e o modelo saiu de linha sem sucessor direto. É hoje uma das raridades a portar o emblema da marca, catalogado ao lado do Glas 2600 V8 entre os modelos atípicos desenhados por Frua, de procedência incomum, à margem da linhagem oficial.
O CARRO
É um dos dezoito exemplares entregues novos no Brasil em 1968, e tem na instrumentação VDO original o seu traço mais preservado, no painel de cinco relógios sob o volante. Traz a assinatura de Pietro Frua no emblema do paralamas e o desenho de cupê que veio da Glas, finalizado em vermelho escuro sobre as rodas de aço com calota. Move-se pelo quatro-cilindros BMW de 1.6 litro com câmbio manual de quatro marchas, e conserva boa parte de seus componentes de origem. O interior foi retrabalhado em couro cinza.
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