Quando a Mercedes-Benz apresentou a série W114/W115 em janeiro de 1968, lançava o primeiro projeto de médio porte inteiramente novo que a marca concebia no pós-guerra, batizado pela imprensa alemã de Strich-Acht, a barra oito, por causa do sufixo que assinalava o ano de estreia. A família tornou-se o primeiro grande sucesso de volume da casa, com mais de um milhão e oitocentas mil unidades somadas, e é dela que descende a linhagem que viria a se chamar Classe E. Sobre essa base surgiu em 1969 o coupé, oferecido primeiro como 250 C e 250 CE, com a carroceria de duas portas sem coluna central cujos vidros laterais desciam por inteiro, desenho conduzido por Paul Bracq sob a direção de estilo de Friedrich Geiger e recebido como a interpretação sóbria e contida que a Mercedes fazia do coupé pessoal, sem a ostentação dos rivais americanos do gênero.
A designação 280 chegou ao coupé em 1972, no topo da gama, quando entrou o M110, seis cilindros em linha de 2.746 cm³ e duplo comando de válvulas no cabeçote. O 280 C trazia esse bloco a carburador, com dois carburadores Zenith e cerca de 160 cv, ao passo que o 280 CE recebia a injeção eletrônica Bosch, distinção que separa as duas versões e que a letra final da sigla registra. Podia ser combinado a câmbio manual de quatro marchas ou automático, com afinação voltada à velocidade de cruzeiro e ao conforto em longas distâncias, fiel ao papel de gran-turismo discreto que a fábrica reservou à carroceria de duas portas.
A linha coupé permaneceu em produção até 1976, quando a série W123 a substituiu, e ao longo de sua vida somou 67.048 exemplares, dos quais 24.669 nas versões 280 C e 280 CE, as mais potentes do conjunto.
Está finalizado em Carnelian Red com o interior preto original em MB Tex. Conserva o motor original, a instrumentação e os faróis Bosch de fábrica, além do rádio Becker Mexico, da antena elétrica e do ar-condicionado.
Traz o seis-cilindros M110 de duplo comando a carburador acoplado ao câmbio manual, combinação menos comum no modelo do que a automática, e mantém no conjunto o caráter de um carro conservado, mais do que refeito.
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