O MODELO
Após a Primeira Guerra Mundial, a Fiat expandiu a atuação para além dos modelos populares e de pequeno porte, buscando atender também ao público de maior poder aquisitivo com automóveis de seis cilindros. A estratégia buscava firmar a marca como a maior fabricante italiana e, ao mesmo tempo, como concorrente direta das alemãs e americanas no segmento de luxo europeu. Nesse contexto surgiu, em 1928, o Fiat 521, que se somava a modelos como o 509 e o 520, parte da nova geração da marca.
Produzido até 1931, o 521 foi um dos modelos que consolidaram a Fiat entre os fabricantes de porte médio-alto. Era oferecido em duas configurações de chassi: a versão L (Lungo), de entre-eixos alongado, destinada a carrocerias fechadas como berlina e coupé, com maior espaço interno; e a versão C (Corto), de entre-eixos reduzido, usada em carrocerias abertas, como torpedo e tourer, voltadas a clientes que priorizavam veículos mais leves e práticos para uso ao ar livre.
Equipado com motor de 2.516 cm³, seis cilindros em linha e cerca de 50 cv, o 521 trazia câmbio manual de quatro marchas, com tração traseira, freios a tambor nas quatro rodas e suspensão por eixos rígidos com molas semi-elípticas. O chassi em aço com carroceria Torpedo de quatro portas e capota de lona acomodava até seis passageiros e alcançava velocidades próximas a 95 km/h, desempenho adequado às estradas da época.
No Brasil, o 521 foi importado pela Fiat Brasileira S.A., no Rio de Janeiro, destinado a clientes de alto poder aquisitivo, como empresários, fazendeiros e membros da colônia italiana. Anúncios de 1929 exaltavam o Fiat como o carro que entrou triunfalmente em todos os mercados automobilísticos do mundo, reforçando o novo posicionamento internacional da marca.
O CARRO
Este exemplar de 1929 foi adquirido pelo atual proprietário há mais de 55 anos e hoje se apresenta como projeto de restauração. Preserva o motor original de seis cilindros em linha, associado ao câmbio manual de quatro marchas, além de importantes acabamentos de época, como as presilhas dos estepes laterais, o para-brisa basculante, as maçanetas, as soleiras de porta timbradas Fiat e o bagageiro, com a armação de capota devidamente armazenada. Desativado há mais de 40 anos, teve os fluidos drenados e foi colocado em cavaletes antes de ser transferido para o local onde permanece. Mantém placa amarela e documentação em nome do atual proprietário.
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