O Willys Interlagos foi o primeiro automóvel esportivo produzido em série no Brasil, fruto do acordo entre a Willys-Overland do Brasil e a Alpine, fundada por Jean Rédélé em Dieppe, França. Baseado no Alpine A108, o projeto foi viabilizado após a viagem do presidente da Willys, William Max Pearce, à França, incentivado pelo publicitário Mauro Salles, que também sugeriu o nome Interlagos em homenagem ao autódromo paulistano. A produção nacional começou em 1962, com a presença do próprio Rédélé na entrega da primeira unidade, e o modelo introduziu no país a tecnologia de carroceria em fibra de vidro reforçada, abrindo caminho para a produção de esportivos leves em pequena escala.
O desenho original do Alpine francês foi idealizado por Giovanni Michelotti e traduzido diretamente na Berlinetta brasileira, marcada pelas tomadas de ar e pelos faróis sob coberturas plásticas. Era uma das três carrocerias oferecidas, Conversível (3124), Coupé (3135) e Berlinetta (3136), todas compartilhando o monobloco com estrutura tubular em aço e a mesma base mecânica Renault. Equipado com um motor de quatro cilindros em linha denominado Billancourt Ventoux, trazia versões de 845 cm³ e de 998 cm³, montados atrás do eixo traseiro e acoplados a um câmbio manual de quatro marchas com tração traseira. Com apenas 680 kg, a Berlinetta atingia 160 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em 14,1 segundos, segundo testes da época.
A produção totalizou cerca de 822 unidades entre 1962 e 1966. O departamento esportivo, liderado por Christian Bino Heins e depois por Luiz Antônio Greco, levou o Interlagos às pistas brasileiras, e sob sua preparação pilotos como Bird Clemente, Luiz Pereira Bueno, José Carlos Pace e os irmãos Fittipaldi conquistaram vitórias em provas como os 500 Km de Interlagos e as Mil Milhas Brasileiras.
Adquirido em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no início dos anos 2000, este exemplar foi o segundo produzido em 1965, na configuração Berlinetta, e passou por extenso processo de restauração. Os trabalhos incluíram revisão completa da suspensão, reconstrução da carroceria em fibra e recondicionamento de diversos componentes originais, com a localização de peças de difícil reposição, como rodas, mostradores Horasa e calotas, garantindo a fidelidade ao padrão de época. A parte elétrica foi totalmente refeita, com substituição recente da coluna de direção, e, para melhor uso, instalou-se um sistema de arrefecimento com eletroventilador.
Os bancos foram refeitos no padrão correto, e o carro calça pneus Michelin novos na medida correta. Finalizado em amarelo, com estrutura íntegra e boa parte da originalidade preservada, acompanha documentação Mercosul em dia.
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