O MODELO
O MG TD foi lançado em janeiro de 1950 para suceder o TC dentro da linhagem dos T-type, e conservava a carroceria de dois lugares de estilo pré-guerra sobre um chassi novo, derivado do sedã MG Y, que trouxe pela primeira vez a um MG esportivo a suspensão dianteira independente com molas helicoidais e a direção de pinhão e cremalheira. As rodas de raios do TC deram lugar a rodas de disco em aço de 15 polegadas, e o modelo passou a ser oferecido com direção à esquerda, decisão comercial que abriu de vez o mercado norte-americano. Foi nesse mercado que o TD alcançou seu maior êxito comercial, pois, se o TC havia apresentado o esportivo europeu aos militares americanos que voltavam da guerra, coube ao TD, com a mecânica modernizada e o volante à esquerda, ampliar de forma expressiva o alcance do modelo, tornando-se o T-type mais vendido, com cerca de 29.664 unidades das quais aproximadamente dois terços seguiram para os Estados Unidos, onde alimentou o nascente automobilismo amador da SCCA e influenciou o projeto do primeiro Chevrolet Corvette.
A mecânica vinha do motor XPAG, quatro cilindros em linha de 1.250 cm³, com comando de válvulas no bloco e dois carburadores SU, rendendo cerca de 54 cv, acoplado a câmbio manual de quatro marchas. A versão Mark II, também designada TD/C, foi apresentada no fim de 1951 como a variante de maior desempenho da linha, com taxa de compressão elevada, carburadores SU H4 de maior diâmetro e comando de válvulas de perfil mais acentuado, o que levou a potência para a faixa de 57 a 60 cv, e vinha acompanhada de dupla bomba de combustível e amortecedores de atrito Andrex reguláveis, voltados ao uso em competição. Produzida em número reduzido, cerca de 1.710 unidades entre as 29.664 do TD, das quais apenas duas conhecidas no Brasil, até o encerramento da linha TD em 1953, distingue-se do TD comum pela afinação de motor e pelos apêndices de suspensão que a fábrica reservou à configuração esportiva.
O CARRO
Conserva as placas de fábrica de Abingdon-on-Thames, com o número de chassi TD/C 21897, cuja letra C confirma a versão Mark II, o número de motor XPAG/TD3/22214, a placa de carroceria e a de patentes britânicas. Foi importado dos Estados Unidos em 2010 e é matching numbers. É um exemplar de exportação com direção à esquerda, na configuração EXL, finalizado em vermelho com capota bege e o interior no padrão de fábrica, com os bancos em couro bege de laterais em vinil e o painel em madeira.
Traz os itens que distinguem o Mark II, as duas bombas de combustível SU e os amortecedores de atrito Andrex reguláveis, sobre o quatro-cilindros XPAG de dois carburadores SU e tampa de válvulas em alumínio gravada MG. Conserva os instrumentos Jaeger e o volante originais, os faróis de feixe selado (Sealed Beam) do mercado americano e as lanternas e piscas Lucas, e calça rodas de aço de quinze polegadas com calotas de octógono MG e pneus Excelsior, com o estepe montado na traseira sob a placa Mark II.
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