O MODELO
O Fiat-Abarth 1000 OTS surgiu no contexto da cooperação técnica entre Fiat e Abarth na década de 1960, período em que Carlo Abarth desenvolvia versões de homologação para competições de Turismo a partir de modelos de grande produção. Baseado no Fiat 850, projeto de Dante Giacosa lançado em 1964, o OTS integrava a família OT, Omologato Turismo, destinada a atender aos regulamentos do Grupo 3. A Abarth recebia carrocerias fornecidas pela Fiat e as transformava em sua instalação no Corso Marche, em Turim, em pequenos esportivos que combinavam baixo peso, motores de maior capacidade e ajustes específicos de refrigeração, freios e alimentação. Homologado pela FIA com um número mínimo de 200 unidades, estima-se que a produção real tenha ficado abaixo disso, dados os métodos pouco ortodoxos empregados.
A configuração mecânica do 1000 OTS partia do motor de 982 cm³ usado nos OT, um quatro-cilindros OHV alimentado por carburador Solex duplo e calibrado para 68 cv. Na nomenclatura Abarth, OT designava os modelos de homologação baseados no Fiat 850, enquanto OTS (Omologato Turismo Speciale) e OTR (Omologato Turismo Radiale) representavam evoluções que incorporaram refrigeração dianteira, adotada para melhorar o gerenciamento térmico em uso esportivo. O OTS combinava assim o conjunto mecânico da série OT com o sistema de refrigeração frontal desenvolvido pela Abarth. Com 695 kg, freios dianteiros a disco e a distribuição de peso característica dos pequenos Fiat de motor traseiro.
O CARRO
Fabricado em 1967, chegou ao Brasil provavelmente zero quilômetro, entre as poucas unidades Fiat-Abarth importadas por Eugênio Martins, importador dos Fiat-Abarth no Rio de Janeiro. O atual proprietário o encontrou no início dos anos 2000, quando procurava um Fiat 850 para servir de doador de peças, e o exemplar foi inicialmente tomado por um simples Fiat, até que o cárter de alumínio aletado, estampado ABARTH, identificou o modelo.
Seguiu-se uma restauração completa, com decapagem até a chapa limpa, durante a qual surgiram sinais de originalidade, do velocímetro graduado até 180 km/h aos componentes do sistema de arrefecimento dianteiro, coletor de escape específico e AB202/B estampado no motor, número de indetificação Abarth. Documentos da década de 1980 ainda vinculados ao veículo já o identificavam como Fiat Abarth. A pintura branca seguiu registros fotográficos de Carlo Abarth, datados de 1966 e 1967, ao lado de um OTS na mesma tonalidade. Acompanha o formulário de homologação nº 539 do Grupo 3.
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