O MODELO
Quando o Jaguar XK120 foi apresentado no Salão de Londres de 1948, causou impacto imediato no cenário automobilístico britânico e internacional. Projetado a princípio apenas como vitrine do novo motor XK de 3,4 litros, teve recepção tão entusiástica que a marca decidiu colocá-lo em produção. O nome “120” referia-se à velocidade máxima estimada de 120 milhas por hora, 193 km/h, o que fazia dele o carro de produção mais rápido do mundo em sua época. Num contexto de reconstrução pós-guerra, o XK120 marcou o renascimento da Jaguar e ampliou sua presença nos mercados de exportação, sobretudo nos Estados Unidos. O desenho, de proporções longilíneas e perfil aerodinâmico, inspirava-se no estilo streamline dos anos 1930 e nos franceses Delahaye e Talbot-Lago, com para-lamas integrados, capô longo e traseira afilada.
O XK120 foi construído inicialmente com carroceria em alumínio sobre estrutura de madeira, passando à produção em série com painéis de aço prensado a partir de 1950. O chassi derivava da arquitetura do sedã Mark V, encurtado e ajustado para melhor rigidez. O motor seis cilindros em linha de 3.442 cm³, com duplo comando no cabeçote e válvulas inclinadas, desenvolvia cerca de 160 hp com taxa de compressão de 8:1 e carburadores SU, acelerando de 0 a 100 km/h em torno de 10 segundos. O modelo venceu o Rali Alpino e o Tourist Trophy de Dundrod, obteve o quinto lugar geral na Mille Miglia de 1950 e estabeleceu recordes em Montlhéry, com médias acima de 160 km/h em 24 horas e de 100 mph ao longo de uma semana de rodagem contínua. O mesmo motor equiparia depois os C-Type e D-Type vencedores de Le Mans em 1951, 1953, 1955, 1956 e 1957.
O CARRO
Este Jaguar XK120 OTS foi fabricado em maio de 1951 e exportado para Allen Hofman, nos Estados Unidos. Atualmente finalizado em verde-claro metálico, com interior em couro bicolor verde e bege, foi adquirido em 20 de junho de 1973 pelo atual proprietário por meio de um anúncio no jornal OESP. Então pintado de grená, o carro estava em funcionamento, mas exigia manutenções diversas, feitas na época na oficina de Élio Yoshikawa. Pouco depois foi completamente desmontado para restauração, em novembro do mesmo ano, trabalho que se estendeu por décadas. Com o auxílio de Augusto de Arruda Botelho, o restauro foi reiniciado em 2000 e concluído em 2004 na oficina Automotor, onde todas as manutenções são realizadas desde então.
O histórico de uso e manutenção está integralmente registrado em fichas detalhadas, com controle de quilometragem, consumo e serviços. Desde o término da restauração o carro percorreu 5.208 km e preserva as características de dirigibilidade originais. Mantém os principais componentes mecânicos originais conforme a plaqueta de identificação, chassi, carroceria, motor e câmbio.
O exemplar está equipado com rodas de ferro com calotas, faróis Tripod, lanternas e luz de placa Lucas, além do macaco compatível com o ponto de encaixe original, kit de ferramentas em estojo de couro e conjunto completo de capotas, incluindo capota de lona com armação, janelas laterais e capa marítima. Para facilitar o uso atual sem descaracterizar o conjunto, recebeu atualizações funcionais discretas, como freios a disco de Jaguar Mark II nas rodas dianteiras, ventoinha elétrica adicional acionada por alavanca sob o painel, reservatório de expansão, duas bombas de combustível elétricas com seletor e cintos de três pontos com engate removível.
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