O MODELO
No início dos anos 1950 o XK120 já era o automóvel de produção em série mais veloz do mundo, tendo atingido em 1949 a marca de 132 mph, 212 km/h, e provado no ano seguinte, em Montlhéry, a “Indianápolis francesa”, que sustentava médias de 160 km/h por um dia inteiro. A marca inglesa quis então demonstrar a resistência do carro mantendo essa velocidade dia e noite por uma semana. Em agosto de 1952, em Montlhéry, uma equipe de quatro pilotos ingleses, entre eles Stirling Moss, conduziu um Jaguar de produção por sete dias e sete noites, percorrendo 27.127,73 km com média de 161,4 km/h, feito que quebrou diversos recordes internacionais.
A versão Open Two Seater (OTS), com capota de lona, janelas removíveis e interior tipicamente inglês, voltava-se ao uso esportivo. Os exemplares mais tardios passaram a trazer as lanternas traseiras embutidas na carroceria, no lugar das unidades sobrepostas das primeiras séries. O chassi mantinha a arquitetura de longarinas, suspensão dianteira independente por barras de torção, eixo traseiro rígido com molas semi-elípticas e freios a tambor hidráulicos nas quatro rodas. O motor de 3.442 cm³, com dois carburadores SU H6, entregava 160 hp acoplado a caixa de quatro marchas com sincronização parcial, acelerando de 0 a 100 km/h em cerca de 10 segundos.
O CARRO
Este Jaguar XK120 OTS foi importado para o Brasil pela firma Goodwin, Cocozza S.A., com sede na Avenida Rio Branco, 20, no Rio de Janeiro, em 1952, originalmente na cor preta com interior em couro bege. Pouco depois foi repintado em prata e passou a ter manutenção regular em São Paulo, com Élio Yoshikawa. No início dos anos 1970, o atual proprietário encontrou este Jaguar parado por falta de combustível durante um passeio pela cidade, o que levou à sua aquisição. De imediato realizou revisão completa dos freios e manutenção preventiva, e nos anos seguintes o manteve em uso regular, principalmente em longas viagens ao litoral e ao interior do estado e em rallyes de regularidade, sem ultrapassar cerca de 10.000 km, segundo relato.
Nos anos 1980, este foi o carro usado como molde para o Fera, esportivo nacional de fibra de vidro inspirado no XK120, trabalho executado por Enrique Erwene em troca da nova pintura, com a carroceria completamente decapada. Recebeu também novo carpete, revestimentos de bancos e laterais de porta, capota conversível recoberta em lona azul, capota marítima sob medida, vidro traseiro importado para a nova capota e cintos abdominais. As lanternas dianteiras e traseiras receberam lentes novas originais, e os para-choques originais foram substituídos por peças em aço inox, acompanhando o carro.
Na década de 1990, todas as borrachas da carroceria foram trocadas por peças novas importadas da Inglaterra. Ao longo das décadas seguintes recebeu melhorias discretas para maior confiabilidade, como ventilador elétrico auxiliar e ignição eletrônica, e em 2022 recebeu tanque de combustível novo em aço inox, novo dínamo Bosch (o original acompanha o carro), regulagem de motor e ajuste dos carburadores. Mantém rodas originais de aço com calotas, faróis Tripod, lanternas e luz de placa Lucas. Após alguns anos inativo, foi recentemente reativado, com a marcha lenta acertada, e permanece completo e íntegro, apto ao uso no estado atual ou como base de um restauro completo.
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