O MODELO
Apresentada em 1956 como sucessora direta da série W120 180, a Mercedes-Benz 190 (W121) consolidou a reputação da marca no pós-guerra como fabricante de sedãs médios sofisticados, confiáveis e tecnicamente avançados. Produzida até 1961, era parte da bem-sucedida linha “Ponton” — denominação popular derivada do estilo de carroceria com laterais integrais e para-lamas incorporados, introduzido pela Mercedes em 1953. Essa arquitetura monobloco marcou uma ruptura definitiva com os chassis separados da era pré-guerra, resultando em maior rigidez estrutural e segurança. O design, assinado por Karl Wilfert, seguia o princípio “form follows function”, com linhas limpas e proporcionais, características que influenciariam os futuros modelos da marca.
Mecanicamente, o Mercedes-Benz 190 utilizava o motor M121 de quatro cilindros em linha e 1.897 cm³, equipado com comando no cabeçote e alimentação por carburador Solex, entregando 75 cv a 4.700 rpm e torque de 14,5 mkgf. O câmbio manual de quatro marchas tinha alavanca na coluna de direção, e a tração era traseira. A suspensão independente nas quatro rodas — com sistema de braços sobrepostos na dianteira e eixo oscilante na traseira — proporcionava conforto e estabilidade acima da média para sua categoria, reforçados pelos freios hidráulicos a tambor nas quatro rodas. Com velocidade máxima de cerca de 145 km/h e peso de 1.260 kg, o modelo combinava desempenho equilibrado e suavidade de rodagem, características que o tornaram referência de durabilidade e refinamento. O 190 Ponton foi também a base de transição para a futura série “Heckflosse/Fintail”, lendária série W111.
O CARRO
Este exemplar do Mercedes-Benz 190 1957 possui procedência diplomática e histórico documental excepcionalmente completo. Originalmente importado para o Consulado Alemão em Pernambuco, o automóvel foi trazido ao Brasil pelo Chanceler Lino Stegmaier, que o utilizava a serviço consular. O carro chegou ao país no final de 1957 e realizou sua primeira revisão de 500 km em 27 de janeiro de 1958, conforme registros. Em 15 de novembro de 1960, o veículo foi adquirido por Franz Nowotny, então residente em São Paulo, quando o diplomata retornou à Alemanha e colocou o carro à venda. Após a compra, o automóvel foi transportado por via aérea de Pernambuco para São Paulo, onde permanece desde então. O registro de importação e a liberação para transferência datam de 30 de setembro de 1958, constando sob a placa diplomática de Pernambuco 5353, posteriormente substituída pela matrícula civil paulista em 1961.
Finalizado na tonalidade original Steingrau Hell com interior em Grün, o veículo conserva sua configuração de fábrica, com painel, instrumentos e forrações de porta preservadas. As capas dos bancos foram recobertas, mas mantendo-se as estruturas originais. O acervo inclui um conjunto completo de manuais e catálogos Mercedes-Benz, entre eles o Werkstatt-Handbuch Typ 190, solicitado pessoalmente por Nowotny à fábrica em 1961, conforme comprovam as cartas trocadas diretamente com a Daimler-Benz Aktiengesellschaft em Stuttgart, que confirmam o envio e pagamento do material técnico original. O carro acompanha ainda um notável conjunto de peças sobressalentes adquiridas na Alemanha em 1962, como faróis, lanternas, emblemas, estrela de radiador e componentes elétricos, ainda embalados. Desde o falecimento de Franz Nowotny, o carro ficou por décadas estacionado na mesma garagem, sendo preservado até os dias de hoje na família.
Com sua procedência histórica comprovada, correspondência de fábrica preservada e notável estado de conservação, este Mercedes-Benz 190 representa é um raro testemunho de época, um exemplar único em seu estado atual.