Inventário

ROLLS-ROYCE CAMARGUE 1979

R$965.000,00
Finalizado em Paprika, interior em couro Connoly Nuella com tapetes em Brick Red, este Rolls-Royce Camargue apresenta alto grau de originalidade e encontra-se em pleno funcionamento. Com cerca de 529 unidades vendidas, trata-se de um dos automóveis de produção mais exóticos já fabricados, uma colaboração única entre a marca londrina e o Studio Pininfarina.
Cor interna:
STONE/BRICK RED
Cor externa:
PAPRIKA
Câmbio:
AUTOMÁTICO

 

O MODELO

A origem do Rolls-Royce Camargue está ligada a uma decisão estratégica ousada e pouco comum na história da Rolls-Royce. No final da década de 1960, a marca havia alcançado sucesso comercial com o Silver Shadow, mas internamente reconhecia que sua linguagem tradicional começava a se distanciar de um público internacional mais jovem, cosmopolita e atento ao design contemporâneo. A resposta não seria uma simples evolução do Corniche, mas o desenvolvimento de um automóvel conceitualmente distinto, voltado ao proprietário-condutor e dotado de identidade visual própria.

Em 1969, a Rolls-Royce deu início ao chamado Project Delta, enviando à Itália um sedã Mulliner Park Ward para servir de base estrutural. Pela primeira vez no pós-guerra, o desenho de um Rolls-Royce de produção seria confiado a um estúdio externo. A escolhida foi a Pininfarina, que já mantinha relação pontual com a marca em projetos especiais. O desenvolvimento estilístico ficou sob responsabilidade de Paolo Martin, com a orientação explícita de criar um automóvel moderno, funcional e visualmente atual, sem comprometer os valores tradicionais de refinamento e sobriedade associados à Rolls-Royce.

O resultado foi apresentado oficialmente em março de 1975, em um evento realizado na Sicília. A escolha do local não foi casual, servindo também como demonstração prática da capacidade técnica do novo modelo em condições climáticas severas, além de reforçar o caráter internacional do projeto. A apresentação foi em paralelo o lançamento público formal, realizado no Salão de Genova.

Visualmente, o Camargue diferenciava-se de todos os demais Rolls-Royce de sua época. Era mais largo, ligeiramente mais baixo e adotava superfícies planas e linhas retas, alinhadas às tendências internacionais do design automotivo dos anos 1970. A redução deliberada do uso de cromados e a ênfase na modelagem precisa dos painéis reforçavam essa leitura contemporânea. O para-brisa fortemente inclinado contribuía para uma silhueta mais aerodinâmica e moderna. Ainda assim, elementos essenciais da identidade da marca foram preservados, como a grade Pantheon, inédita por sua leve inclinação para frente, e o Spirit of Ecstasy.

O interior refletia a mesma abordagem, porém inovadora e exclusiva. O painel adotava disposição horizontal e funcional, inspirado na aviação, com instrumentação clara e comandos bem distribuídos. O acabamento mantinha o padrão absoluto da Rolls-Royce, com couro Nuella Connolly, desenvolvido especialmente para o Camargue, carpetes Wilton de alta gramatura e extensas superfícies em madeira nobre, aplicadas de forma mais técnica e menos ornamental do que nos modelos anteriores. O Camargue também recebeu uma paleta exclusiva de cores, criada especificamente para o modelo e não compartilhada com outros Rolls-Royce, reforçando seu posicionamento como produto distinto dentro da gama.

Mecanicamente, utilizava o conhecido motor V8 Rolls-Royce de 6,75 litros, acoplado ao câmbio automático General Motors TH400 de três marchas e à suspensão independente com sistema hidráulico autonivelante. Embora compartilhasse a base técnica com o Silver Shadow, o Camargue era mais largo e pesado, oferecendo maior espaço interno, especialmente para os ocupantes traseiros, e um nível ainda mais elevado de isolamento acústico e conforto em velocidade de cruzeiro.

O posicionamento de mercado foi deliberadamente extremo. No lançamento, o Camargue custava aproximadamente o dobro de um Silver Shadow, cerca de 50 por cento mais do que um Corniche e superava inclusive o Phantom VI, limousine oficial da marca. Durante grande parte de sua produção, foi o Rolls-Royce mais caro disponível, ocupando o topo absoluto da hierarquia da empresa. Essa estratégia tinha caráter simbólico. O Camargue não foi concebido como modelo de volume, mas como produto vitrine, destinado a afirmar a independência criativa e técnica da Rolls-Royce no período posterior à reestruturação da empresa em 1971. Nos Estados Unidos, seu principal mercado, o modelo cumpriu esse papel com eficácia, contribuindo para um aumento estimado de cerca de 40 por cento nas vendas do Silver Shadow no primeiro ano, ao tornar o sedã comparativamente mais acessível aos olhos do público.

Produzido artesanalmente entre 1975 e 1986, o Camargue exigia elevado número de horas de mão de obra por unidade, especialmente na carroceria, cujos painéis planos e tolerâncias rigorosas tornavam o processo construtivo complexo. No total, apenas 529 exemplares foram entregues a clientes, tornando-o um dos Rolls-Royce mais raros do período pós-guerra. Embora nunca tenha alcançado sucesso comercial expressivo em termos de volume, o Camargue consolidou-se como um dos modelos mais singulares da história da marca, representando uma tentativa consciente e tecnicamente consistente de redefinir sua linguagem estética e seu posicionamento no mercado de luxo.

O CARRO

O Rolls-Royce Camargue aqui apresentado foi encomendado em 17 de maio de 1977 pela Jack Barclay Ltd, em Londres, Inglaterra, a mais tradicional concessionária Rolls-Royce do mundo. Construído artesanalmente, o automóvel foi entregue em 12 de fevereiro de 1979 a Basil Thwaites, empresário britânico e fundador da Thwaites Dumpers, fabricante de equipamentos industriais. Segundo documentos oficiais da Rolls-Royce, o carro foi configurado originalmente na desejada tonalidade Paprika, cor exclusiva do Camargue, combinada a interior em couro Nuella Connolly na tonalidade Stone, carpetes Wilton em Brick Red, forração de teto em Beige e acabamento interno em madeira nobre.

Em julho de 1989, o automóvel passou à propriedade de Mrs. Connie Hooper, período durante o qual foi mantido com revisões em concessionária oficial Rolls-Royce, incluindo serviços documentados pela Arnett of Bournemouth. Em maio de 1995, foi adquirido pela Chamberlain Holdings PLC, permanecendo registrado no Reino Unido. Posteriormente, o carro passou à Real Motor Cars, no País de Gales, responsável por sua preparação pré-venda, com serviços realizados pela P&A Wood em 2007, referência mundial em Rolls-Royce e Bentley. Já em 2009, o Camargue foi adquirido pelo atual proprietário, entusiasta da marca, sendo importado para o Brasil em 2010, permanecendo desde então na mesma coleção. Em solo brasileiro, foi amplamente revisado por especialista internacionalmente reconhecido por seu trabalho em Rolls-Royce e Bentley.

Atualmente, o carro apresenta elevado grau de originalidade e preservação, apresentando apenas 61 784 mil milhas. O interior mantém-se completamente original, com instrumentos Smiths e Jaeger British corretos de fábrica e plenamente operacionais, além do rádio Blaupunkt Frankfurt original com toca-cartuchos. Bancos, painéis de porta e revestimentos originais encontram-se em excelente estado, assim como a carroceria. O conjunto óptico é composto por faróis e lanternas Lucas, e todos os vidros Triplex originais permanecem no carro, reforçando a integridade do conjunto. Vidros elétricos e ar-condicionado Dual Zone encontram-se em pleno funcionamento. Mecanicamente, o motor V8 de 6,75 litros apresenta ótimo funcionamento, traduzindo com fidelidade a condução “sem esforço” tradicional da marca. É acompanhado dos manuais originais, além de ampla documentação. Dos 534 Rolls-Royce Camargue fabricados, acredita-se que 186 exemplares tenham sido construídos em configuração com volante à direita (RHD).

Trata-se de um exemplar com especificação correta, procedência bem documentada e alto nível de originalidade.

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ROLLS-ROYCE CAMARGUE 1979

R$965.000,00
Finalizado em Paprika, interior em couro Connoly Nuella com tapetes em Brick Red, este Rolls-Royce Camargue apresenta alto grau de originalidade e encontra-se em pleno funcionamento. Com cerca de 529 unidades vendidas, trata-se de um dos automóveis de produção mais exóticos já fabricados, uma colaboração única entre a marca londrina e o Studio Pininfarina.
Cor externa:
PAPRIKA
Cor interna:
STONE/BRICK RED
Motor:
6.75L V8
Câmbio:
AUTOMÁTICO
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