A denominação Windsor integrou a linha Chrysler de 1939 a 1961 nos Estados Unidos, posicionada acima do Royal e abaixo do New Yorker na hierarquia da montadora. Tanto o Windsor quanto o Royal utilizavam exclusivamente o motor seis cilindros em linha, ao passo que os modelos New Yorker, Saratoga e Imperial eram equipados com o motor de oito cilindros em linha. Para o ano-modelo 1950, o Windsor correspondia à série interna C-48. O motor era o L-Head de seis cilindros em linha com 251 ci (aproximadamente 4,1 litros), compartilhado com DeSoto, Dodge e Plymouth, com câmbio manual de três velocidades de série e sistema Fluid Drive semi-automático como opcional. As carrocerias disponíveis incluíam berlina de quatro portas, Club Coupe, Conversível, Traveler Sedan e o hardtop Newport, este último novidade para 1950, sendo a berlina de quatro portas a de maior volume de produção.
Em 1949, por ocasião do 25.º aniversário da Chrysler, o Windsor foi atualizado e passou a compartilhar a linguagem visual do Imperial, ciclo que introduziu o painel de instrumentos acolchoado como recurso de segurança passiva, mantido no C-48 de 1950. Para 1951, a Chrysler encerrou a série Royal e o Windsor assumiu a posição de entrada na linha, sem receber o V8 FirePower de 331 ci introduzido nos modelos superiores naquele ano, permanecendo com o seis cilindros em linha até 1955.
Berlina de quatro portas, série C-48. Número de veículo 70839407, produzido na planta Chrysler em Detroit, Michigan. Body Number 35941. A cowl tag registra MODEL 48, BODY 2, PAINT 5, TRIM 7, confirmando a cor de fábrica Haze Blue, código 05, e revestimento interno em tecido azul, código de trim 7. A plaqueta de fabricante no compartimento do motor, com inscrição “Chrysler Corporation, Detroit, Mich., Made in U.S.A.”, está presente e legível.
Segundo relato do bisneto da primeira proprietária, o veículo foi adquirido novo por Dona Maria Albertina de Castro Prado e conduzido, durante toda a sua propriedade, por um único motorista. Nesse período, a filha da proprietária utilizou o carro em seu casamento. O automóvel permaneceu sob a guarda de Dona Maria Albertina até o seu falecimento. A transferência do veículo prolongou-se por aproximadamente uma década em razão da pluralidade de herdeiros. Nos anos 1980, o pai do atual proprietário, que buscava o carro desde o falecimento da primeira proprietária, concluiu a aquisição com 34.000 km registrados no odômetro. Após a compra, as superfícies metálicas foram tratadas com talco e vaselina líquida como medida preventiva contra oxidação, e o veículo foi recolhido em chácara em Mairiporã, sob cobertura, onde permaneceu guardado por período prolongado.
O estado de preservação reflete diretamente essa trajetória. O motor L-Head de seis cilindros está instalado com filtro de ar de banho a óleo de tipo circular, configuração original de fábrica. As buzinas duplas e a tampa de latão do radiador estão presentes. O chicote elétrico original foi mantido em seu trecho principal, com substituição restrita às pontas por desgaste do material isolante. No interior, o volante com aro em baquelite, o painel acolchoado revestido em couro e o cluster com painel em tom âmbar e coroa Chrysler no aro do velocímetro são originais, evidenciando a pátina de época. O rádio AM com pré-seleção de estações, o relógio analógico e o sistema de aquecimento e degelo com controles cromados estão presentes e completos. Os pneus conservam o flanco branco e as rodas utilizam as calotas de cobertura total de série. O odômetro registra 34.901 km originais. Trata-se de um exemplar em estado de preservação fora do comum para um veículo de 75 anos: sem restauro e sem intervenções de reconstrução, com integridade de componentes raramente encontrada nesta condição.